
"Ela me disse “eu não estou apaixonada por você”. E me dirá, você que me lê, que infinitas mulheres disseram o mesmo e que por tais palavras, fez-se lágrimas que quase dariam um mar… Mas eu, que encarei estas palavras com ampla serenidade, digo que daqui, dos altos pensamentos onde estou, estas palavaras me agradam, agora.
Pois eu também não estou apaixonado por ela. A desejo e a amo, o que é muito diferente. Senão vejamos. O que é a “paixão”? É aquele brilho intenso, que cega e queima, e é fugaz? Pois por ela não me cego, mas antes vejo tudo mais belo: o ar que respiro, até ele, me parece mais leve, e suaves são todas as formas. E tampouco queimo-me, ao ponto de me consumir. Antes, é um calor tão bom que a presença dela me dá, que me sinto bem e até sorrio diante de coisas na verdade bem pequenas. E é este sentimento que quero ver retribuído, não a paixão.
Não quero que se incendeiem por mim, mas que minha luz seja suave ao ponto de nunca lhe fazer sombra ou deixá-la no escuro. Paixão é tempestade. Amor, porto seguro. Se eu sei também ser vento e tempestade? Claro. Mas apenas quando pintar uma vontade mais louca que as outras, um desejo mais intenso e as alturas como se me chamassem. Nestes momentos eu ,se queira, brigo para que a terra inteira trema diante da tua vontade, que será o meu desejo.
Paixão, do latim passio , que significa sofrimento, dor. Palavrinha tão enganosa que tiveram que disfarçá-la e esquecê-la sob outro significado. Amor, do latim… Amor! Tão linda quem nem de nome a mudaram. Há quantos anos sobrevive? 3.000? Uma palavra para sobreviver, intacta, por 30 séculos, tem de ser mesmo muito especial. Não lhe maquiaram. E quem poderia?!?
Por amor, muitos morreram. Por paixão, mais ainda mataram. Por amor, se faz loucuras. Por paixão se enlouquece. Paixão é furacão; amor, fortaleza. A paixão não tem hora, o amor aguarda. A paixão consome, o amor alimenta. A paixão não tem medo, o amor o enfrenta.
No mesmo dia, disse que me ama. Então também sabe a diferença, e quando vejo seus olhos curiosos, vejo-os a uma mesma altura: de bem alto, onde tudo é mais claro e limpo. Mas como, em um mesmo dia se diz “e amo” e “não estou apaixonada por você”? Por que ambas as coisas são verdade, e agora, de aqui sozinho e calmo, não sei qual das duas me faz mais feliz. Há a cereja, mas igualmente existe o oceano…
Paixão é a orquídea e a rosa? Quero ser o teu lírio e o teu jardim. Aquele lugar onde se repousa da tristeza e da dor, mas onde também se dança e se grita bem alto, para que toda a felicidade saia e seja ouvida. Ah, teu corpo que me encanta tanto, sua pele que ao mero encostar me eletriza, tua voz… Eu os nego? Jamais! Mas tambem não te resumo a isto.
Eu vejo teus olhos em silêncio e só de me perder neles é que me encontro. Que faço, sob uma ponte de estrelas entre nossas casas, a viagem de eu a mim, e me torno no que sou. Você não é a minha perdição, mas o meu caminho. Não quero ser seu guia, mas parte do seu destino. É assim que se fazem as vidas, meu amor. Agora, você não há caminho entre nós, pode dizer. E é verdade. Mas a estrada é tão longa que só ao seu lado eu a percorreria feliz e apenas junto a ti, posso deixá-la segura. Onde nos encontraremos, se nos encontrarmos? Onde você quiser, e quando. E enquanto sem você eu vou andando, pavimento minha trilha com aquilo de que são feito os sonhos…"
Vi, li e achei perfeito...